Acho que tenho um estranho tipo de aversão a pessoas novas. Gente nova em termos de grupos pré-formados. É uma grande falha na minha personalidade. Quando eu era pequena, não gostava muito quando via na lista de chamada, no dia da matrícula, que ia entrar gente nova na minha turma. Eu achava que era porque tinha certeza de que meus amigos iam gostar mais da pessoa nova do que de mim. Olha que baixa auto estima! Mas descobri que não era isso: o que tenho na verdade é um medo de que o “insider” cause um desequilíbrio numa ordem estabelecida.
Por exemplo, não gostei quando a Andy entrou em Dawson’s Creek, quando aquele careca entrou em Sex & the City pra namorar a Charlotte, quando a Ana Lucía e a Libby entraram em Lost… aliás, nem do Rodrigo Santoro eu gostei! Mas também, coitado, ele ainda não mostrou a que veio, só teve umas 5 falas até hoje. E agora, que sempre antes de dormir, fico entretida com meu box de 2a temporada de Grey’s Anatomy, não gostei nada quando entrou uma médica nova. Aliás, alguns erros médicos à parte, é impressionante a verossimilhaça de G.A. com um serviço de residência: sempre tem um Dr. McDreamy, sempre tem uma The Nazi, sempre tem um cirurgião fodão arrogante e um residente playboy. As pegações não são assim tão freqüentes (gente, aquilo é melrose hospitalar!) e, quando ocorrem, são discretas. Mas o seriado é um hit e um ótimo entretenimento pra quem não leva à sério os enlatados americanos (e nem a vida, muito, o que é sempre saudável). A trilha sonora é o máximo, peguei as músicas todas.
Poisé, seriados. Eu não tomo vergonha nessa cara. Deveria usar meu tempo livre pra ler Nietzsche, Flaubert, Camus, Duras, Foucault, correr maratona ou fazer meditação transcendental. Mas ainda não evoluí espiritualmente a esse ponto. Quem sabe na próxima vida… E médico, além de emburrecer, sempre se acha cansado demais pra ter que mobilizar uns milhares de neurônios ou de miócitos em alguma atividade. Admiro (e invejo) as exceções. Só que estou feliz com minhas séries.
Mas voltando à minha novatofobia, na maioria das vezes acabo gostando do personagem com o passar do tempo. Mas nos primeiros capítulos me dá uma sensação de angústia, tipo, “Droga! Vai entrar um personagem novo e vai estragar tudo!”Não é uma coisa estúpida, isso? Acho que fico com preguiça de conhecer o personagem todo, como já conheço os outros. Serve pro hospital (falando do real agora): toda semana tem um interno de uma faculdade daqui acompanhando a ortopedia pediátrica. Na 2a feira fico com uma sensação esquisita e na 6a quero que a pessoa não vá embora porque ela é tão legal. Mas aí na outra 2a chega um novo e começa tudo de novo.
O engraçado é que meus melhores amigos entraram na minha turma quando eu já estava nela há mais de 5 anos.
O que prova que é uma sensação estúpida e um medo infundado: viva os newbies.
No mais, estou apaixonada pela minha mesinha de cabeceira nova. Ela é linda e fofa.

