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Solidão que nada

março 27, 2007

Rio Nhundiaquara

O fim de semana foi um sucesso absoluto.

Primeiro porque quando a gente fica 1 mês sem ver o namorado até ir à padaria de mãos dadas é um programa importante. E ainda ganhar um monte de mordomias como ele não te deixar lavar a louça ou carregar as compras do mercado e a roupa suja pra lavanderia e ainda tirar o lixo, fazer a cama e trazer croissant de nutella do cafeína. Ter a companhia que a gente quer ter todo dia pra comer, pra ver o novo episódio de lost, ir ao cinema, passear pelas ruas da cidade, pegar ônibus e táxi.

Domingo foi divertido. 2 residentes do hospital (um piá e a única guria) nos buscaram, com seus respectivos namorados. Aqui perto, a 1 hora e meia de carro, tem uma cidade chamada de Morretes. Perto de Morretes tem o Rio Nhundiaquara. Onde tem um troço chamado bóia-cross. O sujeito é levado de kombi por um percurso que demora uns 15 minutos, chega lá, pula no rio na sua bóia, que é uma câmara de ar de pneu de caminhão, e desce com o fluxo. Às vezes tem umas corredeiras e ganha uma conotação de aventura, fica todo mundo rindo que nem bobo. Às vezes as águas ficam bem calmas e o sujeito fica só tomando sol e deixando o rio levar, achando, como bem disse meu amigo, que, se um dia se estressou, não se lembra. Isso tudo leva quase umas 3 horas (tanto tempo em uma coisa tão simples e recompensadora pra 15 minutos banais de kombi, impressionante como tempo é um troço relativo).

Depois come-se um barreado, que é uma comida típica daqui: carne de boi desfiada feita com farinha de mandioca e servida com banana. É gostoso.. molhadinho, um salgado que a banana quebra um pouco, estrategicamente. Disseram que fica 12 horas cozinhando, o barreado. O que é engraçado é que já conheci vários curitibanos que não gostam.

O problema da visita de quem a gente gosta é que ele vai embora. Mas deixa uma sensação de paz que dura uns dias inteiros e uma impressão de que pode-se viver com quase nada mesmo. Comer, dormir, um lugar limpo. E alguns sonhos que a gente vai polindo e esculpindo devagarinho, pra ficar cheio de detalhes e preciosismos.

E aconteceu uma coisa mágica: não me senti sozinha depois. A casa ficou cheia desses sentimentos bons. Meus amigos me tratam como se a gente estivesse junto há um tempão (e fica muito tempo junto por dia). E eu fico achando que é verdade mesmo, apesar de saber muito pouco sobre eles, a não ser o essencial, os highlights. Talvez o preço da vida adulta seja perder de vista alguns detalhes sobre as pessoas e sobre as coisas. Mas tem o gordinho super engraçado e que sempre ajuda todo mundo; o minhoca gozado do interior com opiniões polêmicas; o gaúcho figura, cheio de histórias mirabolantes e vítima de todas as piadas possíveis; a menina que é menina mesmo mas tem que ser menos menina do que a maioria das meninas porque está em minoria; o galã cheio das pretendentes mas com a namorada de longa data; o altão zen que parece estar sempre tendo um barato; o empolgadão que sai toda noite e é engraçado sem querer ser; o puxa-saco dos chefes que ninguém confia e todo mundo chama de fura-olhos; o gordão que é todo bebê e gente boa e simpático; o que zoa todo mundo por qualquer coisa e tomou porrada do namorado de uma guria na night um dia desses.

São todos bem queridos. Como dizem por aqui. E ajudam a get through the days. Fica tudo pequeno quando se tem umas pessoas marcantes por perto: a distância, a saudade, as responsabilidades.

Aqui também tem ovos de páscoa nos tetos dos supermercados e das lojas, patinhas de coelhos no chão de algumas farmácias e lojas de 1.99 e dias tão bonitos.

O céu de Curitiba é mais azul que o do Rio.

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