Archive for maio \30\UTC 2007

A movie script ending

maio 30, 2007

Invejo tanto quem não conhece o feeling…

I ♥ Grey’s Anatomy

maio 28, 2007

sério. pessoas não ganham globos de ouro à toa.
e sobre os muitos beijos em pessoas diferentes: que grupo de amigos não é assim? ; )

Visitas – Modo de Usar

maio 28, 2007

a ponte da ópera de arame e o patinho

As visitas têm um grande e irremediável problema: elas vão embora.

Experimente, porque vale à pena. Ter uma companhia familiar pra ir almoçar, passear, ir pra night boa e até passar frio. Mesmo quando a sua hóspede chega às 5:30 da manhã, com 3 graus lá fora, e você sai direto da cama pra abrir a porta. No final de contas, acaba sendo a melhor coisa, porque o dia fica comprido quando a gente leva ele à sério e sai de casa cedinho.

Aí dá tempo de fazer tudo. Turismo, comilança, compras, passeios, night, tanta conversa.
Trate bem sua visita, assim quem sabe ela não volta? Ou não espalha pra todo mundo que você é uma boa guia turística/anfitriã/dona de casa/distraidora do incrível mundo das coisas por resolver?

No fundo esses momentos são os melhores. Por isso que eu nunca vou ganhar o meu primeiro milhão, como deu no teste que eu fiz na revista claudia. Porque ao invés de estar investindo nos negócios eu estava com a minha ilustre visita, num parque, tentando descobrir uma forma de passar pelos gansos sem ser atacada pra fotografar e passar a mão no pêlo de umas capivaras tomando sol.

E quando ela vai embora a gente se lembra porque é que é tão especial aquilo tudo. Porque eu estava longe, sozinha, com frio e com gripe. E, por 2 dias, esqueci tudo isso e nem percebi.

Queria ter te dado um abraço mais apertado quando você saiu do taxi laranja ; )

[ http://www.flickr.com/photos/fernanda ]

Parlons d’avenir

maio 22, 2007

É tão difícil de articular. Essa sensação que ele provoca, o futuro.

Porque é isso. Tem uma hora em que chega aquele momento. O momento pelo qual todos estávamos esperando. O momento da verdade? E as cores parecem ter tantas camadas a mais do que simplesmente branco e preto. Sucesso ou fracasso. Como se mede isso? Ainda não tenho a resposta. Ainda não tenho quase nenhuma resposta.

O ser humano é cliché, porque toda vez que fecha um ciclo resolve fazer um balanço. Mas talvez esse seja um dos aspectos que o tornam tão fascinante. Meu objeto de estudo e dedicação. Aquilo o que eu escolhi fazer, da melhor forma que eu puder.

Me lembro do vestibular, como eu sentia uma certa angústia por aquelas pessoas que não sabiam o que queriam. E um certo alívio por não ser uma delas. Eu sabia exatamente o que queria. Aos 18 anos eu sabia exatamente o que queria. E estava tão pronta, mal conseguia esperar pra emergir daquele tipo de vida, que me parecia tão pouco, tão raso, tão obsoleto. O tempo passa, mais depressa pra uns do que pra outros. As pessoas fazem escolhas e aproveitam o seu tempo da forma que julgam ser melhor. Faço 24 em menos de 1 mês. A vida segue. E, de novo, sei exatamente o que quero fazer com ela. Mas, dessa vez, me sinto tão verde, tão despreparada pra profundidade. Acho que dessa vez sou um daqueles amigos perdidos, não tanto pela indecisão, mas pela imaturidade. Acho que talvez, justamente por ter noção da dimensão do que está por vir, tenho a certeza de não ter as armas pra guerra. Estou vulnerável e sem ferramentas. Se eu tenho que me expor desse jeito, tem mesmo que ser nesse tempo? A gente tem sempre que aprender as coisas pela via mais difícil? Não existe um caminho alternativo, que a gente não se julgue (e seja julgado) covarde por escolher? Não existe uma forma de a gente dizer “eu não estou pronta, por favor espera um pouco”?

(É, eu sei que não.)

Nunca achei que fosse me preocupar com esse tipo de coisa ou dizer uma frase do tipo pare-o-mundo-porque-eu-quero-descer. Mas seria bom. Mais tempo. A gente sempre quer mais tempo. Mas nem sempre merece. Não é mesmo?

Tempo pra compensar o que deixou escapar. As oportunidades que não pareciam assim, tão oportunas.

Às vezes acontece, é raro mas acontece. Isso de, de repente, se ver flutuando dois dedos acima da rotina. Tem umas coisas que quero tanto. Mas tanto. Que simplesmente esqueço. Aprender violão (tenho até vergonha de admitir). Fazer o curso de fotografia (eu sei que é lugar-comum). Tem até essa câmera maravilhosa numa promoção inédita, tenho umas economias. Mas pode ser tudo escapismo. Pode ser que não. Algumas coisas simplesmente são importantes..

Talvez seja uma daquelas típicas e facilmente diagnosticáveis crises de formando. Talvez seja o fato de eu não fazer a mínima idéia de onde estarei ou do que acontecerá com a minha vida daqui a um ano. Talvez seja culpa ou medo de fracassar e decepcionar as opiniões com as quais eu me importo tanto. (E verdade seja dita, não são poucas). Talvez tudo já tenha começado a desmoronar.

Talvez um pouco de cada. Mas é o que eu sinto. E, no fundo, não importa quantas pessoas verdadeiramente se importem, talvez a gente tenha que passar por isso tudo por conta própria mesmo. E, no final de contas, o quanto eu cresci ao longo desses anos talvez ajude em alguma coisa. Nesse friozinho na barriga, esse sede repentina, as pernas um pouco tontas, um apertinho rápido no peito, essa sensação de impotência. (Quanta angústia.) Que eu sinto só de pensar no que está por vir.

♫ :
Ryan Adams – La Cienga Just Smiled
Azure Ray – Displaced
Tresspassers William – Lie in the Sound

O mala do supermercado me dando idéia

maio 19, 2007

Se tivesse um espaço extra naquele filme “Coffee and Cigarettes” eu colocava esse diálogo. Porque foi uma das coisas mais awkward que me aconteceram aqui.

As filas estavam enormes. Acho que curitibano não tem o que fazer quando chove e aí vai pro supermercado, é a única explicação, porque eu nunca tinha visto o Mercadorama cheio daquele jeito.

3 caras na fila do lado olhavam pra mim. Tirei meu headphone. Um deles mudou pra minha fila (eu era a última até então). Os outros 2 foram pra fila lá do canto esquerdo.

– Desculpa comentar, mas isso são compras típicas de quem mora sozinha…
-É?
– … pão, refrigerante, manteiga…
– É…
– … não tem carne, verduras…
– Carne já tem em casa.
– … carrinho típico mesmo.
– …

Pausa de uns 5 minutos. Os caras lá do outro lado gritaram blabalbla, carioca!
A fila não andava. Fiquei entediada e resolvi bater papo com o cara mala, não tinha noção do quão mala ele era.

– Você é do Rio?!
– Sou, por quê? [com um sorriso babaca]
– Eu também.
– Sério?! [com um sorriso embasbacado]
– …
– Mas como assim? O que você tá fazendo aqui?
– Um estágio.
– Você não tem o biotipo carioca.
– ?
– Poisé, você não parece carioca.
– É, eu tenho o biotipo de quem faz medicina. Cansada, branquela..
– Ah, você não tá branquela! Quer dizer, você não tá bronzeada, mas tá muito bonita.
– …
– Com todo o respeito, é claro. Mas você é bonita. Desculpa se..
– Não, tudo bem.
– …
– …
– Estágio em que área?
– Medicina.
– Medicina?!!! Mentira! Você não tem 20 anos na cara!
– 20 + 3
– Uau! E é bom aqui, na sua área?
– É. Bem, o melhor hospital pediátrico do Brasil é aqui e eu tô nele.
– Caraca!!! [sorriso extremamente babaca] Tão linda e ainda por cima cheia de conteúdo… Parabéns, viu?
– …
– Uma mulher que corre atrás do que quer…
– E você, tá fazendo o quê aqui?
– Vim pra fazer um concurso que vai ter amanhã.
– Trabalha em quê?
– No judiciário, fiz direito, né [aí ele fez uma carra muito de: “odeio meu trabalho, é uma merda”]
– Ahn. Legal.
– Você tá aqui há quanto tempo?
– 4 meses.
– Uau… bravo. Muito bom mesmo.
– Tô voltando já, em 3 semanas…
– E tá achando o quê, da cidade?
– É um bom lugar pra viver, né. Organizada, menos caótica. As pessoas são mais fechadas…
– É, mas você já tá pegando esse jeito fechado…
– …
– … quando eu falei do carrinho você resmungou umas palavras e virou a cara.
– …
– Agora, a noite aqui é uma merda, né?
– Ah, é. Não se compara à do Rio.
– E como você faz?
– Ah, vou onde as meninas me levam..
– [incompreensível]namora[incompreensível]
– …
– Agora te fiz A pergunta, hein?
– O quê?
– Se você você namora aqui ou lá?
– Namoro lá.
– Aaah, mas aí é ruim, né..
– Não, ele vem sempre. Teve aqui há pouco tempo, ficou 2 semanas.
– Mas aí se fala pouco, né..
– Não, todo dia, na verdade. Graças à internet, webcam, essas coisas…
– Ah, mas aí é ruim. Tem que dar uma saudadezinha.
– É, saudade é bom. Mas melhor ainda é matar a saudade.
– …

Daí chegou a minha vez e eu tava cansada demais pra ensacar as coisas. A mulher do caixa ia passando e ensacando ao mesmo tempo.
– Tá vendo? Se fosse no Rio você tava ali, ó. [apontou pro lugar onde a gente fica quando põe as compras nas sacolas]
– … [puta que pariu, que cara mala]
– Tsc tsc tsc, virou curitibana mesmo…

A mulher do caixa pediu minha identidade quando eu entreguei o cartão pra pagar.
– Isso é Curitiba mesmo, né?! Conferindo assinatura!
– …
– …
– Tchau! Boa sorte lá, amanhã!
– Obrigado! Vou precisar. Tchau!

Eu ♥ Balneário do Caos

maio 6, 2007

Tomei uma decisão:

quero ver assim tambem

quero viver o rio.

é.

que nem a camila pitanga. ela disse na entrevista: “faço hidroginástica, ioga e musculação. corro na lagoa, não fico muitos dias sem ir à praia e adoro caminhar nas paineiras. vivo muito o rio.” Mora na Gávea e está se mudando pro Jardim Botânico. Essa última parte, bem, eu vou ter que pular. O problema é que morar na Barra é tão consumptivo que a gente se esquece do resto da cidade toda. E aprendi que isso é uma heresia. Sabe? Um dia percebi que todas as pessoas de Curitiba têm uma fascinação doída pela minha cidade. Então pensei: não é possível, tem alguma coisa errada comigo. (E com a minha família e com os meus amigos.) Pensando nisso, nesse último fim de semana em que estive no Rio pra ir tirar a foto de formatura acho que enxerguei a cidade com os olhos mais de-turista que eu já tive.

Fui pra Santa Casa domingo de manhã cedinho. A névoa tomava conta da cidade, como disse a Marisa Monte na primeira música do disco colorido dela. Mas aos poucos ela se dissipava e eu não precisava mais dos óculos escuros. Nenhuma nuvem no céu. O mar brilhava ali, visto do Elevado do Joá. Tinha inversão térmica no horizonte, mas com aquilo eu estava acostumada, olhei que nem local, não como turista abobalhada. Depois fui pela Lagoa, que estava mais bonita do que eu me lembrava que ela era, e como ela ficava silenciosa e serena às 7 da manhã de um domingo. Peguei o Humaitá e depois o Aterro. O Pão de Açúcar não parece ter sido pintado ali naquele céu azul, às vezes? Aquela parte final do Aterro tava fechada. Não faz mal, fui por dentro do Flamengo. Ali tem que ter cuidado porque tem muito Pardal. Tinha uma médica entrando no Fernandes Figueira. Depois passei ali na rua do consulado americano, tudo vazio, aquele centro fantasmagórico dos fins de semana. A Santa Luzia tava interditada. Não faz mal de novo, faço umas voltinhas, uma baianada e pronto, chego na Santa Casa. Pra encontrar aqueles amigos com quem eu vou me formar. Um monte de gente com quem eu não tenho muita afinidade. Mas por quem eu tenho carinho. É engraçado isso, a faculdade passa depressa e, se a gente não estabelece laços estreitos ao longo dela, não vai ser nos 45 do segundo tempo que a gente vai recuperar o degrau. De repente, quando estava quieta, na minha posição de baixinha-privilegiada da foto de turma, esperando o fotógrafo acertar o pessoal lá de trás que estava torto, me dei conta de que não vou levar mesmo muita gente dali. Uns 3 ou 4, se muito. E, na verdade, que estranho, não sinto nostalgia ou remorso de nada. Fica uma ternura daquilo tudo. Talvez baste. Um caipira me falou uma vez: a vida é um rio que só vai pra frente, nunca pra trás.

Voltei pra casa pela orla. A outra pista estava reservada aos pedestres, ciclistas, patinadores, malabaristas, pernas de pau, anônimos, famosos, bebês e velhinhos. Escolhi a Niemeyer. Me deixei ficar embriagada por aquelas cores saturadas todas da cidade e pegamos 1 hora e meia de praia antes de dar a minha hora de me mandar pro Galeão. A água estava gelada mas sempre vale à pena. Estava transparente e cheia de piscinas. Comemos biscoito globo e tomamos mate. Que instituição, isso.

Então, graças à Camila Pitanga e à população de Curitiba, eu acho que estou conseguindo enxergar a minha cidade através do caos e da violência. Porque, apesar de tudo, é minha, é linda. Não sei quanto tempo dura o barato (até meu primeiro engarrafamento de 2 horas e meia ou até a primeira ignorada-básica pelo padeiro ou pelo feirante ou alguma outra coisa um pouco mais pessoal), mas espero que ele não vá mais embora. E traga aquela luzinha de esperança, de vontade, de respeito mútuo. Assim: Eu quero tentar dar certo com essa cidade.

Então diante de vocês, minhas testemunhas, de quem eu quero ganhar um abraço quando eu voltar mesmo, daqui a 4 semanas, uma lista de carioquices, algumas eu já fiz há tempos, outras nunca. Mas tudo isso eu quero viver, mesmo que em doses homeopáticas, culpa da rotina apertada. Mas uma coisa de cada vez, sem pressa mesmo. Pra poder respirar o Rio através da fumaça, através do jornal, através de tudo o que se fala e se sabe de mal. Dessa cidade que a gente odeia quase tanto quanto ama.

1 – ir à praia em ipanema

2 – subir no cristo

3 – caminhar nas paineiras

4 – tomar café da manhã no parque lage

5 – andar de pedalinho na lagoa

6 – passear na pista claudio coutinho

7 – ver nascer do sol no arpoador

8 – andar de bondinho

9 – chorinho em laranjeiras

10 – samba na lapa

11 – aproveitar a vista do parque das ruínas

12 – conhecer uma praia de niterói

13 – ver vitória régia e orquídea no jardim botânico

14 – pedra da gávea

15 – espiar maratonas

16 – ir ao burle marx

17 – comer biju na feira de são cristóvão

18 – andar de bicicleta na orla

19 – dar um pulo na floresta da tijuca

20 – a ilha fiscal

21 – fazer o tour do castelinho da fiocruz

22 – ir ao planetário num dia em que tenha observação

23 – lanchar nos quiosques novos de copa

24 – outeiro da glória

25 – caminhar no aterro num domingo

26 – ir à praia no grumari

27 – simplesmente contemplar