Archive for junho \28\UTC 2007

Não sabia que boneca andava!

junho 28, 2007

Quando a noite vai ser boa as estrelas aparecem mais cedo!

– Você acredita em amor à primeira vista ou vou ter que passar aqui de novo?

Tenho uma confissão a fazer: adoro cantadas escrotas. Estou colecionando-as de uns tempos pra cá. Quanto mais toscas melhor. Um cara mala que chega na menina da fila do supermercado bem poderia mantar uma série de cantadas ridículas. Pelo menos ia fazê-la rir… E aí, já é ou já era?

– Só vou te fazer 3 perguntas: qual o seu nome, quer ficar comigo e por que não?

– Hoje é teu aniversário?
– Não, por quê?
– Porque você tá de parabéns!

– Seu pai é padeiro?
– Por quê?
– Porque você é um sonho.

– Você trabalha na Fiat?
– Por quê?
– Porque você faz o meu Tipo e é o meu Stilo!

– Não sou Casas Bahia mas tenho dedicação total a você. / – Não sou o Banco Itaú mas acho que fui feito pra você.

– Posso te pagar um sorvete?
– Não.
– Então paga um pra mim?

– Tá quente demais aqui ou é meu sangue que ferve por você?

– Ei, gata, tua roupa é linda!
– Ah, brigada..
– Ia combinar muito com o carpete lá de casa!

– Você sabe onde tem um correio por aqui?
– Blablabla…
– Obrigado, vou correndo lá pra te mandar uma carta de amor.

– Me dá um beijo?
– Não!
– Vamos fazer um acordo então: eu te dou um beijo, se tu gostar eu te dou outro.
– E se eu não gostar?
– Aí tu me devolve.

– Tua amiga tá aí sozinha?
– Tá.
– Então pede pra ela te pôr na minha fita.

e uma bem ao estilo tire-as-crianças-da-sala:
Mulher, casa comigo que tu não passa fome.
De dia, você come lingüiça. De noite, a a lingüiça te come!

sério. você não ia dar umas gargalhadas depois de uma seqüência ninguém-merece dessas?

mas a melhor foi uma que ouvi outro dia, de uma menina pro cara interessante na night:

– Oi, se quiser ficar comigo me avisa, tá? Tô ali, ó.

E Funcionou 😀

E agora, José?

junho 19, 2007

Na minha última noite em Curitiba saímos com as meninas. Tinha aquele clima de despedida mesmo, sempre que elas lembravam que eu ia embora faziam aquela cara (que o nosso cachorro faz quando a gente tá na porta pronta pra partir), me abraçavam assim meio de lado e resmungavam: não vai embora, não. Daí a banda do lugar começou a tocar aquela música do Lulu Santos: “eu tô voltando pra casaaaa”. Eu falei pra elas: minha música! E elas fizeram a cara e toda a seqüência de novo.

Pra mim voltar pro Rio fechava o ciclo. Era um passo necessário pra poder fazer um balanço dessa coisa meio frenética e meio zen que foi morar em Curitiba. Mas não era uma coisa que doía. Aliás, acho que partir nunca dói. Quando os outros partem é que é uma sangria desatada. Ir embora é uma sensação boa, na verdade, não é? De mudança, de superação, é como se você disesse pro mundo que não precisa dele, não, e que, se der, você volta.

E agora voltei, o Rio é lindo mas a rotina se reajusta depressa, a gente percorre longas distâncias todo dia e, se consegue chegar em casa de bom humor, encontra alguém com o humor abaixo de zero e é sempre difícil não deixar a matemática tomar conta e fazer a média. Tentei mudar o meu lugar de fazer natação, porque lá onde eu fazia era aberto, então sempre que chovia ou tinha frente fria eu ficava lá sendo batendo o queixo, mas depois de ter visitado outros 3 lugares cheguei à conclusão de que lá continua sendo o melhor custo/benefício. O que posso fazer é tentar ir mais de dia. Não sei se consigo por causa dessa parte obrigatória do internato. Que, aliás, não poderia ser mais enrolativa. Comecei por uma matéria em que a gente fica 1 mês alguns dias subindo o morro e entrando em casas com agentes de saúde e tendo aulas sobre sabe-se-lá-o-quê. Outro dia a professora passou “Ilha das Flores” e quis que a gente discutisse no contexto do SUS. E todo mundo meio sem graça de expor suas opiniões. Tinha mil coisas que poderia ter dito, mas fiquei em silêncio também. Pra poder ir pra Curitiba no primeiro semestre tive que mudar de turma e agora estou em uma em que não conheço quase ninguém. É estranho ter a certeza de que vou me formar em menos de 5 meses e não conheço nem metade das pessoas que se formam comigo. Nunca troquei uma palavra sequer com pelo menos um terço. É meio triste, mas não me incomoda, na verdade.

Mas o que aconteceu foi que eu fiquei doente. Depois de tanta arrumação com mudanças e vistoria de apartamento e correria, despedidas, parabéns com 1 semana de antecedência e principalmente da viagem relâmpago à floripa pra ver o Fluminense ser campeão da copa do brasil, uma gripe me derrubou e não poderia ter sido mais inconveniente, dada a quantidade de coisa que eu tinha pra arrumar. E ainda tivemos um preju enorme porque vendemos os ingressos pro show dos LH a preço de banana.

Balanço final: uma família nova bem divertida, quilos de informações ortopédicas armazenados no hipocampo, uns 5 amigos de verdade no sul do brasil, descobrir que eu vivo tão bem e direitinho sozinha, assistir ao vivo um título nacional tricolor com direito a vaga na libertadores, várias roupas novas bonitas, uma cicatriz de um corte que eu não fui suturar e, principalmente, finalmente, aprender que a gente pode se sentir plenamente em casa. Mesmo a 800km de distância.

(muitas fotos!)

É permitido chorar em despedidas

junho 8, 2007

obrigada por ter sido um exemplo tao imenso

Minha bisa morreu.

Ela tinha 102 anos e teve uma pneumonia. Foi pro CTI, ficou melhor (aquela melhorada, sabe, aquela da qual a gente da área médica sente um medo) e o coração dela desistiu. Imagina.. Ficar 102 anos batendo, sem parar, sem descansar, só trabalhando, trabalhando…

Fiquei triste. E na verdade escrevi esse post assim que meu avô me deu a notícia, no domingo. Mas, por alguns motivos, só estou publicando agora.

O que a gente deve pensar quando acontece isso? A gente diz assim: “foi melhor, ela descansou, estava sofrendo.” Mas será que não é uma hipocrisia falar uma coisa dessas?
Bem, definitivamente é uma forma de a gente tentar se sentir melhor. E de tentar confortar o outro, que é alguma coisa que sempre deve ser tentada, não importa muito como.

Acho que essa é a coisa mais difícil pra se pensar sobre. Talvez como meu avô disse (e achei tão bonito): ela foi muito boa, está do lado de Deus. Talvez se tivéssemos aprendido budismo na escola teríamos outra lógica de pensamento, outra manifestação de fé. Mas acho que o sentimento seria o mesmo. Que, no caso, é: não tenho mais minha bisa.

Me lembro da festa de 100 anos que a gente fez pra ela. Foi tão legal. Minha mãe fez uma montagem de fotos antigas e a gente comemorava cada vez que ela reconhecia alguém nas fotos.

No final da festa, depois de já ter dançado, comido, bebido, soprado velas, rido e se esbaldado, ela começou a trocar um pouco as bolas e apontou pra mim e disse assim pro meu tio:

– Ela é sua namorada?
– Não, vó! É a Nanda, a sua primeira bisneta…
– Ah! Nanda!
e me abraçava…
10 minutos depois:
– É sua namorada, Arthur?
– Não, mulata. Ela é a filha da Branca!
– Ah! É?
e sorria e me abraçava..
5 minutos depois:
– Ela é sua namorada?
– É, vó. É minha namorada.
– Que linda! Mas é muito bonita, a sua namorada! Parabéns…
e me abraçava mais do que das outras vezes.

🙂

E quando as pessoas que eu amo tanto de amor forem deixar essa vida eu realmente não sei o que vou fazer com a minha. Mas é como meu pai disse, um dia, meio triste, se lembrando do meu avô: “ah, nanda… é uma saudade que nunca passa.”

De qualquer forma, não importa a idade. Se ainda está dentro da barriga ou se é uma velhinha linda de 103 anos. Sempre parece cedo demais.

É proibido chorar em despedidas

junho 3, 2007


É proibido Proibir

Fui assistir Proibido Proibir numa sessão especial a 3 reais, no shopping Crystal, que fica aqui pertinho. E, sabe, gostei. Gostei dos universitários que tem alguma coisa minha (o jeito de andar, as expressões, não sei, alguma coisa). Da periferia do Rio, que quase nunca aparece. Do triângulo amoroso . E do beijo ardente no final. Em alguns momentos dá um pouquinho de vergonha alheia, mas são raríssimos os filmes brasileiros que não carregam esses instantes. Mas, não sei, algo me pareceu familiar. Aquele sonho de melhorar o mundo, de ajudar pessoas, aquela preocupação que a gente tem com a conjuntura toda, seguida por aquela sensação de impotência, de que está tudo podre, que não existe ninguém a quem confiar a nossa proteção, os nossos valores, os nossos parâmetros de ética e justiça. Aprender a viver na marra, com os conflitos de realidade, e se desiludir vendo que não dá pra tapar o gigantesco buraco do mundo. Quando eu crescer e deixar de ser uma idealista é isso o que eu vou fazer, quando tudo parecer meio desprovido de paixão: ir ao cinema.
(E eu queria ser linda e hippie que nem a Maria Flor, nesse filme.)

É proibido Proibir

Agora, capitalisticamente falando, tem gente mais chata que vendedor de loja?
Essas duas últimas semanas não sei o que me deu, mas andei comprando umas roupas em lojas que não tem no Rio. A conta do cartão me provoca uma certa ansiedade (pai, não fica bravo). Mas sabe quando você percebe que 90% das suas roupas tem mais tempo do que o seu namoro? E, no meu caso, vocês sabem né, isso é tempo. Então tenho entrado em algumas lojas e constatado, cada vez com mais convicção que vendedores são uma raça incômoda. Eu tô lá, olhando as blusas e começa o interrogatório. Já conhecia a loja? Não? Nunca tinha ouvido falar? Ah, você é de onde? Tá gostando da cidade? E o que uma carioca faz por aqui? Estágio em que área? Em qual hospital? Nossa, trabalhar com criança, que máximo, mas não dá uma peninha? E você quer se especializar em pediatria mesmo?
Caraca! Quem eles pensam que são? Meus amigos?
Bem, o que importa é que estou voltando com umas roupas que me deixaram contente.
E acho que meu casaco novo fez sucesso, porque recebi vários.. digamos.. elogios.. digamos… urbanos.

Fora isso, nem sei por onde começar de tão atolada que estou de coisas pra fazer até 6a feira. Tenho que escrever a carta de aviso de desocupação, pintar o apartamento, vender móveis, me despedir de pessoas, cancelar contas e fazer toda a mudança de volta. Talvez eu vá até Floripa ver o Flu jogar a final da Copa do Brasil, se meu tio me arranjar um ingresso, já que esgotou tudo em 1 dia. Senão vou ter que me amontoar em algum bar que, de preferência, não esteja cheio de figueirenses sem espírito esportivo. Que nem quando fui com o chefe ver o jogo do Atlético na Arena lotada e meu time eliminou o Furacão. Não comemorei nem nada (só quando cheguei em casa dei uns pulos). Mas ele mal me olhava no dia seguinte. Eu tinha me esquecido como os homens levam essas coisas à sério. É só futebol, sabe, eu adoro e não sei explicar por quê. Mas é basicamente isso. A paixão nacional.

Amanhã vai ter churrasco de despedida minha e dos residentes que, em 3 semanas, estarão voltando pros seus serviços de origem e o hospital estará recebendo a outra metade de residentes de ortopedia da cidade. Na verdade esse churrasco é uma tradição lá no hospital. É feito na chácara do meu querido chefe, ele inclusive manda matar um carneiro e sempre tem muita comilança e bebida pro pessoal se esbaldar e vão os outros chefes também. Mas esses residentes, não sei, andam meio desiludidos da vida. Eles não queriam ir (não sabia que eu estava tão sem prestígio!) mas aí o chefe foi lá e deu um esporro! Falou que não fazia a menor questão de que eles fossem na casa dele, que quem não quisesse ir que não fosse, mas que ele estava fazendo isso pra eles e que eles deviam ir nem que fosse pra se despedir da Fê, que ajudou tanto vocês no ambulatório e nas cirurgias. Fiquei até me sentindo mal.. Mas eles disseram que vão. Então, de repente, funcionou, né? Vamos ver como vai ser amanhã. Depois conto.
Quinta feira saí com as meninas. Todas médicas, óbvio. Os meus únicos 2 amigos não-médicos nessa cidade são o meu anjo da guarda, que é engenheiro de telecom, e a minha amiga que estudou comigo na escola e que veio pra cá por causa do noivo, ela é psicóloga. Mas, enfim, sexta feira estava destruída. E é tão especialmente difícil levantar no frio. Cheguei 7:20 no hospital, 20 minutos atrasada. O mais legal foi o olhar cúmplice que o residente que eu tinha encontrado (completamente bêbado) na night me mandou. Ele me disse, baixinho: “acho que ainda tô bêbado!” E ele ainda estava de plantão pelas próximas 24 horas! Fiquei o dia todo me sentindo um zumbi. Pensava o tempo todo: não sou feita pra vida noturna mesmo, tenho uma alma velha, que merda. Mas pelo menos atendi umas crianças fodas. Primeiro teve um bebê de7 meses que tinha uns olhos azuis que pareciam duas bolas de gude. O pediatra encaminhou pra gente porque estava suspeitando que o quadril estivesse fora do lugar. Depois atendi um recém-nato de 8 dias de vida que nasceu com 1 dedinho a mais no pé. Depois uma guria de 1 ano e meio com osteogênese imperfeita (aquela doença dos ossos de vidro, lembra do velhinho de Amélie?) que ficava me mandando beijos e tinha a risada mais gostosa. E depois uns 3 adolescentes bem gente boa. E o pior foi o meu casaco novo ter ficado empestiado com nicotina; quando é que vão passar aquela lei de N.Y. de não poder fumar em lugar fechado? Meu cabelo e minhas roupas agradeceriam imensamente. Assim como meus pulmões e bolsos, já que toda vez que saio no dia seguinte você pode me encontrar na lavanderia.

Hoje fiz janta e, enquanto isso, vi o último episódio de Felicity. Me lembrei de como achei que era o fim de uma era, quando vi aquele episódio pela televisão. Mas outras séries vieram, Sex & the City, Lost, Grey’s Anatomy… A mídia está sempre vendendo algo que a gente possa estar precisando consumir.

Felicity e Ben