Archive for agosto \31\UTC 2007

Feliz agora que mamou?

agosto 31, 2007

o david tem 4 meses e internou com pneumonia. não conseguia respirar, ficava roxo, tinha febre. no fim de semana o pulmão dele colabou. tiveram que correr com ele pro centro cirúrgico pra colocar um dreno e tirar o líquido e o ar que estavam dentro do tórax. já está há alguns dias tomando antibiótico na veia (por isso o curativo estranho no bracinho). estava tão mal, tão mal que, quando cheguei na enfermaria e o encontrei todo calmo depois de ter mamado (antes ele também não conseguia mamar, tamanha era a dispnéia) fiquei tão contente que fiz um videozinho dele.

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15 minutos de fama nerd

agosto 29, 2007

“Fernanda tem que se controlar para a internet não atrapalhar os estudos”

eu tenho um tiquinho de vergonha de admitir que eu gosto de ler a megazine até hoje. mas é verdade; toda terça-feira, quando pego o jornal, faço uma leitura super dinâmica das manchetes principais e corro logo pro encarte dos jovens e adolescentes. gosto das reportagens, das críticas bobas de filmes e música e mais recentemente das crônicas do cuenca. me lembro na época do vestibular em que ficava tentando fazer as questões (atualmente nem percebo que elas estão lá, de tão automático que é mudar a página quando chega a seção “vestibular”, argh). mas aí um dia uma menina me ligou e me propôs aparecer numa matéria sobre jovens que passam muito tempo na internet. minha fama nerd já havia vazado. topei, né, não é todo dia em que alguém pergunta se você quer aparecer no jornal e contar algum aspecto da sua vidinha mundana. uma coisa assim meio egocêntrica, meio boicote ao nosso próprio (e querido) anonimato. mas vale. daí elas vieram, a menina legal e a fotógrafa doidinha.

fiquei meio personagem, mas era tudo verdade mesmo. todo mundo é um pouquinho personagem. as legendas na minha foto foram meio infelizes, sim: “pesquisa mostra que jovens cariocas deixam de praticar esportes, estudar e ler para ficarem conectados”. quando, que fique registrado, tenho feito natação 3 vezes por semana e malhado 3 vezes também, estou na fase de mais estudo da faculdade e todo dia procuro ler alguma coisa não relacionada a medicina pra relaxar. mas pelo menos não foi que nem meu amigo que, quando apareceu na mesma seção do jornal, há uns anos atrás, se deparou com a legenda: “hoje em dia é tudo na base da pancada” sob a sua foto.

e os scraps e mensagens ao estilo “sai do orkut e vai estudar” proliferam. meus amigos já foram mais criativos nas zoações… ; )

das belezas da vida que a gente encontra na rede

agosto 15, 2007

1:

Me and You and Everyone We Know

Semana retrasada assisti em DVD “Me and you and everyone we know”. É um filme experimental, da Miranda July, que além de ser a atriz principal (interpretando ela mesma: uma artista contemporânea cheia de camadas) ainda é a roteirista e diretora do filme. E, sabe, fiquei encantada. A história é simples, mas a seqüência de imagens e de acontecimentos banais (que se tornam extraordinários aos olhos de algumas pessoas excêntricas) exploram temas sensíveis (como divórcio, pedofilia e solidão) de uma forma que eu nunca tinha visto. Talvez aqui e ali, salpicado em outros filmes, como a cena do saco em “Beleza Americana”, quando ele diz: “Sometimes there’s so much beauty in the world I feel like I can’t take it, like my heart’s going to cave in.” Eu acho que sou uma viciada incoercível na busca por essa sensação que ele descreve. Eu quero sentir, quero me deixar atropelar, quero ser desintegrada por uma beleza galopante. E que, quando eu conseguir me levantar ou me recompor em moléculas, quero ainda estar sob o efeito embriagante das coisas incríveis. E, assim que ele passar, eu sei que vou precisar de mais.

O que me lembra de “Candy”, que vi outro dia. Sobre outro tipo de dependência. Dois viciados em heroína e no amor sem fundo que sentem um pelo outro embarcam naquela jornada sem volta que a gente já viu em Réquiem. Como diz o personagem do Geoffrey Rush no filme: “When you can stop, you don’t want to. When you want to stop, you can’t.” É verdade que eu não estava esperando muito, mas me surpreendi imensamente. Esse filme é mais lírico que Réquiem, mais frágil, cheio de recursos visuais maravilhosos com música doída, a atuação entregue do Heath Ledger e preciosidades australianas: a fotografia, os sotaques. A Candy (linda, luminosa e loura) e o Danny vão alimentando o vício e consumindo tudo o que era genuíno: o amor, os sonhos, os valores, a ingenuidade. A gente sabe como termina. Mas mesmo assim parece que acabou de ver uma coisa deprimentemente linda.

Candy (2006)

mas depois de assitir “me and you and everyone we know” resolvi googlar a diretora. cheguei ao blog dela, que é mais uma forma de divulgar o próprio trabalho, o livro que ela escreveu, a agenda de exposições pelos próximos meses, os projetos e instalações dos quais ela participa, etc. mas, de lá, encontrei um link pra outra coisa da qual não páro de falar ultimamente.

2:

Constelação nas costas de Jovana Sarver, Philadelphia, Pennsylvania USA

Uma família de Seattle (2 pais, um filho de 20, 2 adolescentes e uma menininha de 5 anos) está completando o seu projeto: “Learning to Love You More” consiste em 63 assigments (deveres de casa?) que envolvem os mais variados tipos de sentimentos e atitudes. Algumas são altruístas, como 31 – Passe tempo com uma pessoa que está morrendo. Umas são divertidas, como 25 – Faça um vídeo de alguém dançando. Outras são emotivas, como 32 – Desenhe a cena de um filme que te fez chorar. E carinhosas como 39 – Tire uma foto dos seus pais se beijando. E há algumas ao estilo Amélie, como: 36 – Cultive um jardim em um lugar inesperado e 9 – Desenhe uma constelação com as pintinhas de alguém.

Essas tarefas foram assimiladas e executadas por gente dos 4 cantos do mundo e a família Oliver (os artistas idealizadores do “Learning to Love You More”) posta no site os resultados dos desafios aceitos por cada uma de todas essas pessoas desconhecidas que, de alguma forma, chegaram ao projeto e abraçaram a idéia. E daí os vídeos, desenhos, fotografias, músicas, gravações e relatos gerados pelas tarefas ganharão uma exposição no Bumbershoot Festival, em Seattle, em setembro. Eu fiquei encantada com esse projeto. Quero dizer, ISSO é arte contemporânea. Arte digital, interativa e cheia de desdobramentos práticos. Espero que a arte tenha superado, enfim, aquela história de expôr tijolos com um chumaço de cabelos em cima (com a transitoriedade da vida e a desintegração do homem ou explicações parecidas) e exponha mais coisas tão belas como essas, resultantes de 63 variáveis da vida.

3:

No Girl So Sweet, no DeviantArt

Papéis de parede lindos. Pra pôr no computador, no DeviantArt. E no Icon Factory. Eu não agüentava mais o mesmo papel de parede há 6 meses. Agora salvei um monte, vai dar até pra variar.

E papéis de parede lindos. Pra pôr na parede mesmo. Quando a gente tiver a nossa própria casa ; )

These Words

4:

O final de Edwards Mãos de Tesoura. Tinha me esquecido de como era lindo.