Archive for julho \31\UTC 2008

a donzela do consumo (ou: o consumo de uma donzela)

julho 31, 2008

Era uma vez uma menina que tinha uma compulsão contrária à de 99% das meninas de seu reino: ela tinha compulsão pelo não-consumo. Era avessa a shoppings, tinha verdadeiro repúdio por gastos que fugiam ao básico e estritamente necessário. Desprezava roupas, escovas, maquiagens e todos os supérfluos do gênero. Sua frase preferida era: “eu não preciso”. Não se preocupava em coordenar cores, em passar qualquer imagem que fosse, já que se considerava uma fiel escudeira da dita beleza interior.

A coincidência de tudo isso é que, como 99% das meninas de seu reino, a menina se achava um pouco acima do peso ideal (ideal pra quem mesmo?) e ficava se sentindo a pior das criaturas do mundo sempre que experimentava qualquer roupa em alguma loja. Odiava fazer compras, sempre que sua mãe, a imperatriz, conseguia arrastá-la para lojas. As calças pareciam aumentar o quadril, os vestidos nunca caíam bem, as blusas pareciam marcar a barriga. Ela arrancava tudo com raiva, embora muito silenciosamente, dentro da cabine das lojas bonitas, e encarava a cara de decepção da vendedora. Afogava as mágoas em bolsas, afinal bolsas não precisam caber em ninguém.

A princesa neurótica, que detestava frivolidades, tentou mil dietas, reeducação alimentar, alimentação natureba, mas nada. Nunca perdia seus quilinhos extras. Um dia desencanou daquilo tudo. Nadava 2.000 metros por dia por puro prazer, ficou viciada em endorfina e no solzinho que batia na piscina. E, sem querer, por motivos que nada tinham a ver com a sua insatisfação com a auto-imagem, perdeu muito peso. Foi do manequim 40 ao 36. Do M ao PP. E, pelos mesmos motivos que a levaram a minguar, mas principalmente por caberem duas moças iguais a ela dentro de suas antigas roupas, torrou todas as suas economias em vestuário.

Precisava se sentir mais bonita. E precisava comunicar pro mundo que tinha um buraco tão grande dentro de si que ia tentar escolher todas as possíveis cores, texturas, formas e estampas para tentar cobrí-lo. Começou a ganhar dinheiro. E a gastar tudo em recheio para seus cabides e gavetas. Ganhar e gastar, ganhar e gastar, ganhar e gastar. Entrou na espiral do consumo e perdeu-se de si. Sofreu, culpou-se e foi discriminada. Deixou-se enxagüar por blogs de moda, revistas de beleza e muitas outras coisas que nem sabia serem tão bonitas. De repente muita coisa mudou. A culpa foi embora, algumas certezas voltaram.

Parou de pensar obsessivamente que a sociedade é perversa e que a moda é uma indústria com fins meramente lucrativos e descobriu um mundo cheio de escolhas. Começou a entender que se vestir é uma forma de refletir o que tem por dentro, que é uma eterna e deliciosa viagem de auto-conhecimento. Enxergou que moda como escravidão é futilidade, mas como forma de se expressar é arte pura e refinada. E que, sim, queria ser arte andando por aí. E se redefiniu: como irremediavelmente apaixonada por coisas belas.

E, no fundo, é só por isso que eu não condeno a princesa dos vestidos.

E que vou olhar vitrines e dedilhar araras com ela. Sempre que ela me convidar.

Control, alt, del.

julho 30, 2008

Tenho essa mania (que eu ainda não descobri se é um defeito terrível ou uma grande qualidade) de achar que nunca é tarde. Que nunca é tarde para perdões ou recomeços. Pra retomar as rédeas, ser o guia da própria vida. No fundo, ninguém quer realmente entregar tudo à sorte. E todo mundo tem o direito de se dar segundas, terceiras, quantas chances forem necessárias.

Recomeçar é parar de andar em círculos, analisar a perspectiva toda pra poder dar um bom e certeiro passo pra frente. A coragem pra reconhecer que o trem descarrilhou demora a vir, e chega de mansinho e em doses homeopáticas. O frio na barriga está sempre ali, pra lembrar de que não é tudo um rascunho pra que a gente possa cometer todos os erros do mundo e depois passar a limpo. O tempo passa rápido e pode atropelar quem quiser sem enganar. Mas há momentos em que as solas dos pés ganham raízes profundas, que crescem pra dentro do chão. A gente vai murchando ali e não consegue ir a lugar algum. A vida paralisa.

Quando tudo congela na nossa frente, não resta outra alternativa senão dar um boot. E começar tudo de novo. Quero ser melhor: estou começando tudo de novo. E não posso deixar ninguém me empurrar.

As 10 promessas mais difíceis de manter

julho 29, 2008

1 – dormir cedo

2 – beber 5 litros de água por dia

3 – fazer exercício regularmente, sem desanimar

4 – estudar TODOS os dias

5 – manter meus armários e gavetas sempre arrumados

6 – levar a vida menos a sério

7 – guardar dinheiro de verdade

8 – me livrar desse vício terrível que assola muitas vidas chamado internet

9 – guardar elogios e jogar fora os insultos

10 – ser mais persistente

e mais coisas aqui

Objetos de desejo da semana

julho 28, 2008

Descobri um site com camisetas super mega fofas! Quero essas. E esses moletons de vidrinhos de esmaltes e de coraçõezinhos musicais, que graça!

Mandei um email pra perguntar se eles mandam pro Brasil. Mas acho que não 😦

Update! Eles mandam pro Brasil! O frete é 10 dólares e pouco, parece. Ai, que vontade!

Update2! E não resisti: fiquei 100 dólares mais pobre. Em troca, possuirei o casaco de corações-piano, a camiseta do planeta pedindo carinho e a dos fast-foods simpáticos, cada qual em sua língua. Quão nerd eu posso ser? Nerd contente!