Archive for the ‘Resmungos’ Category

15 minutos de fama nerd

agosto 29, 2007

“Fernanda tem que se controlar para a internet não atrapalhar os estudos”

eu tenho um tiquinho de vergonha de admitir que eu gosto de ler a megazine até hoje. mas é verdade; toda terça-feira, quando pego o jornal, faço uma leitura super dinâmica das manchetes principais e corro logo pro encarte dos jovens e adolescentes. gosto das reportagens, das críticas bobas de filmes e música e mais recentemente das crônicas do cuenca. me lembro na época do vestibular em que ficava tentando fazer as questões (atualmente nem percebo que elas estão lá, de tão automático que é mudar a página quando chega a seção “vestibular”, argh). mas aí um dia uma menina me ligou e me propôs aparecer numa matéria sobre jovens que passam muito tempo na internet. minha fama nerd já havia vazado. topei, né, não é todo dia em que alguém pergunta se você quer aparecer no jornal e contar algum aspecto da sua vidinha mundana. uma coisa assim meio egocêntrica, meio boicote ao nosso próprio (e querido) anonimato. mas vale. daí elas vieram, a menina legal e a fotógrafa doidinha.

fiquei meio personagem, mas era tudo verdade mesmo. todo mundo é um pouquinho personagem. as legendas na minha foto foram meio infelizes, sim: “pesquisa mostra que jovens cariocas deixam de praticar esportes, estudar e ler para ficarem conectados”. quando, que fique registrado, tenho feito natação 3 vezes por semana e malhado 3 vezes também, estou na fase de mais estudo da faculdade e todo dia procuro ler alguma coisa não relacionada a medicina pra relaxar. mas pelo menos não foi que nem meu amigo que, quando apareceu na mesma seção do jornal, há uns anos atrás, se deparou com a legenda: “hoje em dia é tudo na base da pancada” sob a sua foto.

e os scraps e mensagens ao estilo “sai do orkut e vai estudar” proliferam. meus amigos já foram mais criativos nas zoações… ; )

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Precisa-se de desapego

julho 3, 2007

a vida é feita de escolhas. São tempos de crise.

Além da minha crise religiosa-espiritual e crise de formanda, tenho outra crise de essência going on. Eu, que nunca liguei pra essas coisas, subitamente quero ter e acumular bens materiais. Fiz 24 anos e involuí (será?) Blusinhas fofas, calças m. officer, sandálias em promoção, soutiens lindos e até cremes pra cabelo entraram no meu subconsciente e agora disputam espaço com as quinquilharias tecnológicas que eu cobiço (até então meus únicos objetos de desejo). Ultimamente tenho sido rasa: quero tudo isso, só coisa boa e bonita. Será que subitamente me tornei o meu pior pesadelo, frívola e consumista, rendida pela pressão social ou, pior, pela minha própria? Ou será que é tudo efeito retardado de todas aquelas Allures e Vogues cheias de roupas e maquiagens maravilhosas que andei folheando desde os 15 anos de idade até hoje em dia?

Não sei de onde eu tirei essa novidade despediosa de impulso de comprar. Parece uma intervenção: a pessoa está lá, calmamente passeando pela rua quando, de repente, se sente inexplicavelmente atraída por alguma coisa que, na prática, cruamente, só serve pra impedir que a gente fique mais propensa a infecções respiratórias e de pele e também pra que todo mundo não acabe sendo preso por atentado ao pudor. E daí parece que, se a gente não puder possuir o item em questão, fica uma sensação esquisita, de que falta alguma coisa no meu dia, na minha vida, no meu armário! Minha cabeça aparentemente voltou de Curitiba tão contaminada quanto o meu sotaque. Culpa de todas as mulheres circulando, lindas e fashion? (Como se isso fosse exatamente uma oposição às cariocas descontraídas e cheias de bossa.) Bem, agora é assim. Estou inconsistente, superficial, leviana. Sou uma despesa ambulante!

Talvez seja fase. Uma grande onda assim, meio fútil. Pessoas são cheias de voltinhas e fases. Principalmente as portadoras de cromossomos XX. Como se volta? Não quero mais uma sandália nova nem uma calça jeans com brilhinho nos bolsos de trás pra usar à noite. Quero voltar a ser hipponga desapegada. Mas, se eu não conseguir, por favor não me empurrem pro grupinho das patys na hora do recreio: elas podem ser bem divertidas, mas não vão querer me fazer companhia no Anima Mundi!

Scars and Souveniers

março 30, 2007

algumas coisas são assim

Todo mundo tem bagagem boa e bagagem ruim. E as cicatrizes, lógico, tem umas que continuam incomodando um tempão depois que a gente tira os pontos. E nesse mérito, por um ângulo, invejo um pouco os americanos. Porque eles superam as coisas. Eles saem, compram, alguns bebem tequila, outros comem um pote de sorvete e superam! Get over it, move on.

Mas algumas relações, depois de certos acontecimentos, não se restabelecem. As cicatrizes ficam lá, compridas e lembrando do que aconteceu, o tempo todo. A gente tenta escapar, tem gente que muda de cidade, tem gente que abandona a pátria. Mas elas estão lá. E ninguém pode mudar os fatos consumados. Ninguém pode des-dizer coisas desnecessárias ou desfazer decepções sedimentadas. O que foi, foi. Vide cicatrizes e souvenirs.

Quem tinha razão? Quem teve culpa? Quem fez a coisa certa? Qual a verdade?

Não importa mais, já era. Aquele espaço que existe entre duas pessoas: entre dois amigos, entre dois familiares, entre homem e mulher, entre duas pessoas que se consideram. Às vezes mais do que são. Aquele espaço onde tudo acontece. É nele que as coisas mudam. É ele que sofre a agressão e fica correndo o risco de virar um deserto.

Mas, previsivelmente, as feridas antigas ajudam a definir uma pessoa. Ensinam lições. Estabelecem parâmetros. Estão lá para nos dizer o que fazer pra evitar que aquilo volte a acontecer.

Ao menos é o que a gente fica se repetindo pra tentar, como os americanos, superar as mágoas da vida.

Tentar ser alguém melhor. Mas o que exatamente significa ser melhor? Mais altruísta ou mais egoísta? Mais contido ou mais extravasador? Mais impulsivo ou mais racional? Mais sincero ou mais falso? Tem umas medidas que não vendem nas lojas de artigos pra cozinha, que pena…

Algumas feridas demoram muito pra cicatrizar, mas saram.

Já outras a gente parece estar esperando até hoje.

Ruim com eles, pior sem eles

fevereiro 10, 2007

chuveiro!

Parece que um dos meus carmas é lidar com chuveiros temperamentais. Parece que exerço algum tipo de atração sobre eles. Estou pensando em abrir um centro psiquiátrico pra chuveiros com transtorno bipolar. Ou um grupo de apoio para pessoas que sofrem do mesmo mal. Vou botar na minha porta uma plaquinha assim: “você tem problemas de relacionamento com o seu chuveiro? Nós podemos ajudar.”

Por que é que é tão difícil regular um mecanismo tão indispensável pra humanidade?

O ápice do meu problema com chuveiros foi há pouco tempo em uma pousada no caminho de Curitiba pro Rio. O bicho ficava ou infernalmente pelando ou polarmente congelante. E o jeito foi tomar banho na breve transição de 30 segundos entre cada estado de humor.

Outra coisa que sempre tive dificuldade pra manipular é o ar condicionado do carro. O do meu, por exemplo, vai até o centro todo dia sendo ligado e desligado. Porque o “1” é frio demais e no “0” parece faltar oxigênio pra respirar. Mas com esse problema eu não preciso me preocupar mais, porque aqui eu sou pedestre.

Aliás, isso me lembra uma vez que fui pra Teresópolis de ônibus. Sentei lá na frente, bem do lado do motorista, e ganhei de presente aquela janelona dianteira pra ficar espiando os motoristas e passageiros dos carros da frente. Nesse dia descobri que as pessoas fazem obsessivamente 2 coisas enquanto dirigem: mudam a estação do rádio e abaixam ou aumentam o ar condicionado. E, desde então, sempre que ando num veículo alto em que dê pra observar as pessoas dentro dos carros, não deixo de perceber e me parabenizar pela descoberta dessa compulsão coletiva por trocar a estação do rádio e o nível do ar.

Deviam fazer um estudo sociológico.

Coisas que a gente queria dizer pros outros mas acaba escrevendo no blog

novembro 25, 2006

Estou numa fase de saturação com pessoas profissionalmente frustradas. Eu sei: em primeiro lugar, é malvado da minha parte, e em segundo, quem sou eu pra julgar as decepções dos outros? Concordo. Mas, apenas constatando, eles estão em todo lugar. Queria falar de outras carreiras também mas como a medicina é a minha realidade fico meio inevitavelmente monotemática. De qualquer forma, aposto que isso se extende pra todas as profissões.

O que eu não consigo entender é o seguinte: se o sujeito não gosta do que faz, por que continua naquela vida? (Tá bom, existem várias variáveis e nada é tão simples e a vida não tem só duas cores e aquele papo todo). Mas continuo acreditando que nunca é tarde demais e que eu, se não estiver feliz com o que fizer, compro uma barraquinha de sorvete e vou vender picolé na praça. E tenho uma vontade enorme de sugerir a todos esses que só fazem reclamar que façam o mesmo.

A cada dia mais tenho certeza de que a gente tem que se cercar de pessoas felizes com aquilo que fazem. Isso, logicamente, independe da condições financeiras. Que gosto que dá quando alguém diz: eu amo o que eu faço. Não importa se é workaholic, se se aperta no final do mês pra pagar as contas, se é escravo do tempo, se faz questão de dar um mergulho na praia todo dia, se mesmo quando viaja de férias leva o trabalho junto. Sou, como a maior parte das pessoas do mundo, a favor de que se encontre sempre o equilíbrio. Mas nada (a)paga aquela paz de espírito que a pessoa tem quando está feliz com aquilo que trabalha. Isso anima quem está começando, dá uma energia, acende uma esperança morninha no inóspito e inquietante futuro incerto.

Aproximar-se dos realizados é consenso. Mas o que fazer com os frutrados? A maior parte dos que eu conheço são inveterados. Daqueles que já ficaram tão duros dentro daquele molde que é impossível convencê-los de que, se a vida não vai bem, todo mundo tem direito de mudar pra conseguir ser feliz. Ou então de que é preciso encarar as coisas de uma forma menos rígida… São como discos arranhados em vitrolas quebradas. Então é difícil mesmo conviver com eles. Mas eu costumo tentar e, se tudo mais falhar, mudo de assunto.

Tem um cara que eu admiro porque é um cara bom. Competente e responsável. E depois do expediente sempre tomamos um mate na lanchonete antes de cada um encarar seu próprio trânsito até em casa. Só que tenho cada vez mais vontade de ir pro engarrafamento com sede mesmo. Porque só escuto lamentações. Sobre como o feedback demora muito pra vir; como o mercado está ruim; como tudo é ruim e ninguém presta; sobre como as pessoas desconfiam dos inexperientes e, mesmo que eles sejam competentes, acabam preferindo os mais velhos (“ah, não vale à pena, não.. ficar batendo a cabeça por aí, o cara é um merda e ganha o mesmo que eu”). O que eu queria dizer era:

WAKE UP! Isso é a sua vida! O que você vai fazer a respeito? Você pode mudar radicalmente. De emprego, de cidade, de país. Mas talvez isso não resolva o seu problema. Você pode mudar pequenas coisas porque tudo depende da forma como você encara a vida. Primeiro, negatividade afasta as pessoas. Você não pode falar só sobre os problemas e as desvantagens de alguma coisa. Será que não tem lado bom nessa profissão? Frustração afasta todo mundo: cliente, mulher, marido, amigos. Guardar os elogios e descartar as critícas (não construtivas) pra não virar alguém repulsivo, amargo, deprimente. E, segundo, não julgar os outros mesmo em atitudes incompreensíveis; é um exercício constante, não é? Afinal, você não está aqui pra julgar ninguém. Você está aqui pra viver a vida da melhor forma possível. Quer dizer, você eu não sei. Eu, pelo menos, estou aqui pra isso.

Além do que as pessoas têm todo o direito de preferir pessoas mais bonitas ou mais feias, mais jovens ou mais experientes pra qualquer tipo de trabalho. Cada um tem as suas razões pra escolher esse ou aquele profissional. Talvez você faria o mesmo no lugar desses clientes, fregueses, pacientes. E, se você for gastar o seu tempo reclamando que a pessoa preferiu o concorrente, significa que você não sabe aproveitá-lo direito. Porque, se competir é essencial, então entre em campo pensando no seu próprio desempenho. Penso que nada que é sincero vem de graça; até aos amigos a gente tem que se dedicar. Com clientela não poderia ser diferente; penso que você tem que investir em você pra que o resto do mundo ache que vale à pena fazer o mesmo. Poxa, vá aprimorar sua formação, fazer cursos, participar de simpósios, de pesquisas, saia do país, faça contatos e, caramba, seja mais positivo de uma forma geral. Existem tantos caminhos pra melhorar. Mas o lance é que é sempre muito mais fácil reclamar e tomar mate do que mudar e tomar decisões.

Mas, né, eu sou uma pirralha. Não posso sair dizendo essas coisas por aí.
Tanta negatividade pode ser contagiosa (será que pega?), deixa a gente meio pesada. Então tem vezes em que sinto muito, mas não, obrigada, não quero ouvir as suas queixas; me faz mal, fico com medo (pai, tem um bicho no meu quarto). Por isso que gosto tanto quando algum professor diz que ama o que faz e realmente sabemos que ele diz a verdade. Tendo a achar que poucas coisas são melhores do que isso.