Archive for the ‘Rio de Janeiro’ Category

Girando

setembro 10, 2007

aniversário do meu primo e afilhado:

impressionante como criança precisa de bem pouca coisa mesmo pra ser feliz 🙂

E agora, José?

junho 19, 2007

Na minha última noite em Curitiba saímos com as meninas. Tinha aquele clima de despedida mesmo, sempre que elas lembravam que eu ia embora faziam aquela cara (que o nosso cachorro faz quando a gente tá na porta pronta pra partir), me abraçavam assim meio de lado e resmungavam: não vai embora, não. Daí a banda do lugar começou a tocar aquela música do Lulu Santos: “eu tô voltando pra casaaaa”. Eu falei pra elas: minha música! E elas fizeram a cara e toda a seqüência de novo.

Pra mim voltar pro Rio fechava o ciclo. Era um passo necessário pra poder fazer um balanço dessa coisa meio frenética e meio zen que foi morar em Curitiba. Mas não era uma coisa que doía. Aliás, acho que partir nunca dói. Quando os outros partem é que é uma sangria desatada. Ir embora é uma sensação boa, na verdade, não é? De mudança, de superação, é como se você disesse pro mundo que não precisa dele, não, e que, se der, você volta.

E agora voltei, o Rio é lindo mas a rotina se reajusta depressa, a gente percorre longas distâncias todo dia e, se consegue chegar em casa de bom humor, encontra alguém com o humor abaixo de zero e é sempre difícil não deixar a matemática tomar conta e fazer a média. Tentei mudar o meu lugar de fazer natação, porque lá onde eu fazia era aberto, então sempre que chovia ou tinha frente fria eu ficava lá sendo batendo o queixo, mas depois de ter visitado outros 3 lugares cheguei à conclusão de que lá continua sendo o melhor custo/benefício. O que posso fazer é tentar ir mais de dia. Não sei se consigo por causa dessa parte obrigatória do internato. Que, aliás, não poderia ser mais enrolativa. Comecei por uma matéria em que a gente fica 1 mês alguns dias subindo o morro e entrando em casas com agentes de saúde e tendo aulas sobre sabe-se-lá-o-quê. Outro dia a professora passou “Ilha das Flores” e quis que a gente discutisse no contexto do SUS. E todo mundo meio sem graça de expor suas opiniões. Tinha mil coisas que poderia ter dito, mas fiquei em silêncio também. Pra poder ir pra Curitiba no primeiro semestre tive que mudar de turma e agora estou em uma em que não conheço quase ninguém. É estranho ter a certeza de que vou me formar em menos de 5 meses e não conheço nem metade das pessoas que se formam comigo. Nunca troquei uma palavra sequer com pelo menos um terço. É meio triste, mas não me incomoda, na verdade.

Mas o que aconteceu foi que eu fiquei doente. Depois de tanta arrumação com mudanças e vistoria de apartamento e correria, despedidas, parabéns com 1 semana de antecedência e principalmente da viagem relâmpago à floripa pra ver o Fluminense ser campeão da copa do brasil, uma gripe me derrubou e não poderia ter sido mais inconveniente, dada a quantidade de coisa que eu tinha pra arrumar. E ainda tivemos um preju enorme porque vendemos os ingressos pro show dos LH a preço de banana.

Balanço final: uma família nova bem divertida, quilos de informações ortopédicas armazenados no hipocampo, uns 5 amigos de verdade no sul do brasil, descobrir que eu vivo tão bem e direitinho sozinha, assistir ao vivo um título nacional tricolor com direito a vaga na libertadores, várias roupas novas bonitas, uma cicatriz de um corte que eu não fui suturar e, principalmente, finalmente, aprender que a gente pode se sentir plenamente em casa. Mesmo a 800km de distância.

(muitas fotos!)

Eu ♥ Balneário do Caos

maio 6, 2007

Tomei uma decisão:

quero ver assim tambem

quero viver o rio.

é.

que nem a camila pitanga. ela disse na entrevista: “faço hidroginástica, ioga e musculação. corro na lagoa, não fico muitos dias sem ir à praia e adoro caminhar nas paineiras. vivo muito o rio.” Mora na Gávea e está se mudando pro Jardim Botânico. Essa última parte, bem, eu vou ter que pular. O problema é que morar na Barra é tão consumptivo que a gente se esquece do resto da cidade toda. E aprendi que isso é uma heresia. Sabe? Um dia percebi que todas as pessoas de Curitiba têm uma fascinação doída pela minha cidade. Então pensei: não é possível, tem alguma coisa errada comigo. (E com a minha família e com os meus amigos.) Pensando nisso, nesse último fim de semana em que estive no Rio pra ir tirar a foto de formatura acho que enxerguei a cidade com os olhos mais de-turista que eu já tive.

Fui pra Santa Casa domingo de manhã cedinho. A névoa tomava conta da cidade, como disse a Marisa Monte na primeira música do disco colorido dela. Mas aos poucos ela se dissipava e eu não precisava mais dos óculos escuros. Nenhuma nuvem no céu. O mar brilhava ali, visto do Elevado do Joá. Tinha inversão térmica no horizonte, mas com aquilo eu estava acostumada, olhei que nem local, não como turista abobalhada. Depois fui pela Lagoa, que estava mais bonita do que eu me lembrava que ela era, e como ela ficava silenciosa e serena às 7 da manhã de um domingo. Peguei o Humaitá e depois o Aterro. O Pão de Açúcar não parece ter sido pintado ali naquele céu azul, às vezes? Aquela parte final do Aterro tava fechada. Não faz mal, fui por dentro do Flamengo. Ali tem que ter cuidado porque tem muito Pardal. Tinha uma médica entrando no Fernandes Figueira. Depois passei ali na rua do consulado americano, tudo vazio, aquele centro fantasmagórico dos fins de semana. A Santa Luzia tava interditada. Não faz mal de novo, faço umas voltinhas, uma baianada e pronto, chego na Santa Casa. Pra encontrar aqueles amigos com quem eu vou me formar. Um monte de gente com quem eu não tenho muita afinidade. Mas por quem eu tenho carinho. É engraçado isso, a faculdade passa depressa e, se a gente não estabelece laços estreitos ao longo dela, não vai ser nos 45 do segundo tempo que a gente vai recuperar o degrau. De repente, quando estava quieta, na minha posição de baixinha-privilegiada da foto de turma, esperando o fotógrafo acertar o pessoal lá de trás que estava torto, me dei conta de que não vou levar mesmo muita gente dali. Uns 3 ou 4, se muito. E, na verdade, que estranho, não sinto nostalgia ou remorso de nada. Fica uma ternura daquilo tudo. Talvez baste. Um caipira me falou uma vez: a vida é um rio que só vai pra frente, nunca pra trás.

Voltei pra casa pela orla. A outra pista estava reservada aos pedestres, ciclistas, patinadores, malabaristas, pernas de pau, anônimos, famosos, bebês e velhinhos. Escolhi a Niemeyer. Me deixei ficar embriagada por aquelas cores saturadas todas da cidade e pegamos 1 hora e meia de praia antes de dar a minha hora de me mandar pro Galeão. A água estava gelada mas sempre vale à pena. Estava transparente e cheia de piscinas. Comemos biscoito globo e tomamos mate. Que instituição, isso.

Então, graças à Camila Pitanga e à população de Curitiba, eu acho que estou conseguindo enxergar a minha cidade através do caos e da violência. Porque, apesar de tudo, é minha, é linda. Não sei quanto tempo dura o barato (até meu primeiro engarrafamento de 2 horas e meia ou até a primeira ignorada-básica pelo padeiro ou pelo feirante ou alguma outra coisa um pouco mais pessoal), mas espero que ele não vá mais embora. E traga aquela luzinha de esperança, de vontade, de respeito mútuo. Assim: Eu quero tentar dar certo com essa cidade.

Então diante de vocês, minhas testemunhas, de quem eu quero ganhar um abraço quando eu voltar mesmo, daqui a 4 semanas, uma lista de carioquices, algumas eu já fiz há tempos, outras nunca. Mas tudo isso eu quero viver, mesmo que em doses homeopáticas, culpa da rotina apertada. Mas uma coisa de cada vez, sem pressa mesmo. Pra poder respirar o Rio através da fumaça, através do jornal, através de tudo o que se fala e se sabe de mal. Dessa cidade que a gente odeia quase tanto quanto ama.

1 – ir à praia em ipanema

2 – subir no cristo

3 – caminhar nas paineiras

4 – tomar café da manhã no parque lage

5 – andar de pedalinho na lagoa

6 – passear na pista claudio coutinho

7 – ver nascer do sol no arpoador

8 – andar de bondinho

9 – chorinho em laranjeiras

10 – samba na lapa

11 – aproveitar a vista do parque das ruínas

12 – conhecer uma praia de niterói

13 – ver vitória régia e orquídea no jardim botânico

14 – pedra da gávea

15 – espiar maratonas

16 – ir ao burle marx

17 – comer biju na feira de são cristóvão

18 – andar de bicicleta na orla

19 – dar um pulo na floresta da tijuca

20 – a ilha fiscal

21 – fazer o tour do castelinho da fiocruz

22 – ir ao planetário num dia em que tenha observação

23 – lanchar nos quiosques novos de copa

24 – outeiro da glória

25 – caminhar no aterro num domingo

26 – ir à praia no grumari

27 – simplesmente contemplar