Archive for the ‘Tv’ Category

I ♥ Grey’s Anatomy

maio 28, 2007

sério. pessoas não ganham globos de ouro à toa.
e sobre os muitos beijos em pessoas diferentes: que grupo de amigos não é assim? ; )

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Calouros do meu coração

fevereiro 27, 2007

Acho que tenho um estranho tipo de aversão a pessoas novas. Gente nova em termos de grupos pré-formados. É uma grande falha na minha personalidade. Quando eu era pequena, não gostava muito quando via na lista de chamada, no dia da matrícula, que ia entrar gente nova na minha turma. Eu achava que era porque tinha certeza de que meus amigos iam gostar mais da pessoa nova do que de mim. Olha que baixa auto estima! Mas descobri que não era isso: o que tenho na verdade é um medo de que o “insider” cause um desequilíbrio numa ordem estabelecida.

Por exemplo, não gostei quando a Andy entrou em Dawson’s Creek, quando aquele careca entrou em Sex & the City pra namorar a Charlotte, quando a Ana Lucía e a Libby entraram em Lost… aliás, nem do Rodrigo Santoro eu gostei! Mas também, coitado, ele ainda não mostrou a que veio, só teve umas 5 falas até hoje. E agora, que sempre antes de dormir, fico entretida com meu box de 2a temporada de Grey’s Anatomy, não gostei nada quando entrou uma médica nova. Aliás, alguns erros médicos à parte, é impressionante a verossimilhaça de G.A. com um serviço de residência: sempre tem um Dr. McDreamy, sempre tem uma The Nazi, sempre tem um cirurgião fodão arrogante e um residente playboy. As pegações não são assim tão freqüentes (gente, aquilo é melrose hospitalar!) e, quando ocorrem, são discretas. Mas o seriado é um hit e um ótimo entretenimento pra quem não leva à sério os enlatados americanos (e nem a vida, muito, o que é sempre saudável). A trilha sonora é o máximo, peguei as músicas todas.

grey’s anatomy é legal.

Poisé, seriados. Eu não tomo vergonha nessa cara. Deveria usar meu tempo livre pra ler Nietzsche, Flaubert, Camus, Duras, Foucault, correr maratona ou fazer meditação transcendental. Mas ainda não evoluí espiritualmente a esse ponto. Quem sabe na próxima vida… E médico, além de emburrecer, sempre se acha cansado demais pra ter que mobilizar uns milhares de neurônios ou de miócitos em alguma atividade. Admiro (e invejo) as exceções. Só que estou feliz com minhas séries.

Mas voltando à minha novatofobia, na maioria das vezes acabo gostando do personagem com o passar do tempo. Mas nos primeiros capítulos me dá uma sensação de angústia, tipo, “Droga! Vai entrar um personagem novo e vai estragar tudo!”Não é uma coisa estúpida, isso? Acho que fico com preguiça de conhecer o personagem todo, como já conheço os outros. Serve pro hospital (falando do real agora): toda semana tem um interno de uma faculdade daqui acompanhando a ortopedia pediátrica. Na 2a feira fico com uma sensação esquisita e na 6a quero que a pessoa não vá embora porque ela é tão legal. Mas aí na outra 2a chega um novo e começa tudo de novo.

O engraçado é que meus melhores amigos entraram na minha turma quando eu já estava nela há mais de 5 anos.

O que prova que é uma sensação estúpida e um medo infundado: viva os newbies.

No mais, estou apaixonada pela minha mesinha de cabeceira nova. Ela é linda e fofa.

Por que Lost é foda

outubro 23, 2006

favor não se apavorar e ler sem preconceitos :)

Calma, não desista do blog só porque esse é um post sobre Lost e você não agüenta mais ouvir falar nessa série maldita. Prometo tentar ser agradável.

Então eu assisto Lost junto com os EUA porque tenho alguma desordem psico-motora e não agüento esperar o AXN, que costuma ter um atraso de uns 4 meses em relação aos americanos. Passa lá na ABC 4ª feira à noite e 5ª de manhã já começamos a baixar pela internet.

O plot não é nada original: o vôo 815 Sidney – Los Angeles cai numa ilha deserta, de localização indeterminada (1ª pergunta de Lost), e grande parte dos passageiros, que incrivelmente se safaram com alguns poucos arranhões (2ª pergunta de Lost), descobrem que o lugar tem mais mistérios do que pode supor a vã filosofia de qualquer um deles. Analisando o resumo assim, friamente, parece que todo mundo já viu esse filme e que vai ser mais um desses mistérios clichés com sci-fi tosco e meninas gritando, alucinadas. Mas não, não e não. A série é suficientemente bem feita pra justificar todo o frenesi mundial em torno.

Assim, a gente vai perdendo a conta da quantidade de perguntas que a trama vai deixando, numa proporção infinitamente maior às que são respondidas. No meio disso tudo, a gente vai conhecendo os personagens, que são densos e bem construídos. E verossímeis: covardes, generosos, determinados, hipócritas, preconceituosos, ambiciosos, etc e tal. Dá pra encaixar perfis de gente real em cada um deles. Por exemplo, o trio protagonista. O Jack é o médico, altruísta, sensível. E convive com uma culpa inata, uma culpa, uma culpa, que vai aumentando ao longo da vida e faz com que ele sinta necessidade de compensar o mundo inteiro. Você conhece gente assim. O Sawyer é sarcástico, inescrupuloso, mal caráter, construído pelas circunstâncias, o típico produto de uma seleção natural (social?) cruel, que precisou se provar adaptado ao nada que lhe restou pra que conseguisse sobreviver. Assim fica fácil de separar os estereótipos antagônicos. O Jack é pureza, ingenuidade, reúne qualidades humanas um tanto quanto nobres. Branco. O Sawyer representa a traição, o egoísmo total e absoluto, a ausência de ética e moral: tudo o que o homem tem de ruim. O preto. Mas a Kate. A Kate é difícil. Porque ela é cinza. E é de Kates que o mundo está cheio.

E (muito bem) entretidos com disputas de liderança, cumplicidade incondicional, eventos misteriosos, o eterno duelo fé X ciência, cenários paradisíacos e pontos de interrogação, os fãs (detesto essa palavra e toda a alienação que ela abriga, mas na falta de uma melhor…) se organizam e vão pesquisar na rede. Sobre nanorobôs, mitologia grega, atlantis, parapsicologia, caixa de skinner, arqueologia, alucinações, eletromagnetismo, guerra fria, etc. Procuram sobre qualquer assunto em que a série tangencia e depois postam informações interessantes e teorias mirabolantes em fóruns mundo (virtual) afora.

Mas, papo de tiete (outro verbete terrível) à parte, Lost usa todas as armas de que dispõe pra conquistar audiência. E de uma forma que até então não tinha sido explorada tão intensamente. São descobertos na Internet sites relacionados à trama. Que, por alguns microsegundos, fazem a gente esquecer que é tudo ficção. O site da companhia aérea do avião que caiu, de empresas mencionadas no seriado e até mesmo do laboratório que produziu o teste de gravidez que uma das personagens usa, num determinado episódio. Os produtores são espertos a esse ponto. Num determinado capítulo a gente finalmente descobre o nome verdadeiro de um líder misterioso. Termina o episódio e resolve-se digitar nome e sobrenome do cara no google. Sua pesquisa durou 0.18 segundos. E o primeiro link (oh, sponsored!) nos leva a uma página muito suspeita de uma empresa (fictícia) anteriormente mencionada no seriado. O mais divertido é que esses sites são bem feitos ou toscos, de acordo com a conveniência. Tudo pra deixar todo mundo ligado no seriado entre um episódio e outro, entre uma temporada e a seguinte. E é assim que a série fatura milhões e milhões. De fãs e de dólares.

Mas fato é que os produtores têm um dilema agora, em plena 3ª temporada, quando todo mundo cobra respostas. Ou entregam as chaves do quebra-cabeça de bandeja e se vêem com telespectadores desinteressados, abandonando o vício (como ocorreu em Twin Peaks); ou começam a responder as coisas em doses super homeopáticas e acabam caindo na armadilha do absurdo incoerente e decepcionam a audiência (como foi com X Files). Será que eles acham um terceiro caminho?

Se não se venderem totalmente aos interesses da ABC em manter a audiência a qualquer custo e se continuarem direcionando a atenção à resolução das questões emocionais e às relações humanas, ao invés de abusarem do truque de colocar e tirar peças do quebra-cabeça o tempo inteiro, todo mundo sai feliz. Porque, em séries compridas cheias de mistério, fato é que quanto mais tempo se mantém aceso o interesse das pessoas, mais elas se apegam à mitologia da trama e mais decepcionadas elas ficarão quando ela terminar, não importa de que forma. Estabelecer laços: é sobre isso que é a vida e, portanto, é com isso que a gente consegue se relacionar.

Apesar dos problemas inerentes, Lost é isso tudo, sim. Porque o que acaba importanto mesmo é a viagem, e não o destino.

Se você nunca viu um episódio e não sabe, não quer saber e tem raiva de quem saiba, dê uma chance aos Perdidos (nome em espanhol:).
50 milhões de pessoas não podem estar erradas.

Caso alguém tenha o interesse de se expor, tenho o box oficial da 1ª e 2ª temporada completas. Mas aviso: pode ser caminho sem volta.