Objetos de desejo da semana (e da vida!)

agosto 18, 2008

Na minha singela opinião de consumidora, nem sapatos configuram uma compulsão feminina mais deliciosa (e perigosamente destruidora de orçamentos) do que bolsas. Esse ano uma das minhas maiores descobertas foi a La Reina Madre que, na realidade, já existe há um tempão. Trata-se de uma designer que manda absurdamente bem em bolsas e faz a alegria da mulherada de norte a sul do Brasil. Eu confesso que passo no site quase todo dia pra conferir as preciosidades que ela faz. E já desisti de resistir! Tenho 2 bolsinhas aqui comigo (que sempre fazem o maior sucesso por onde eu vou) e mais 3 gatinhos perfumados de pendurar no armário on the way. Mas as escolhas têm que ser muito bem pensadas, porque senão a gente estoura as finanças por lá, já que as bolsas lindíssimas não são baratas.

Fuçando as peças vendidas, escolhi as minhas 10 la-reinas-sonhos-de-consumo e vou compartilhá-las por aqui, pra deixar mais gente a par dessas maravilhas. E são sonhos mesmo porque, infelizmente, a rainha das bolsas não faz reedições de peças esgotadas, para desespero das que ficaram sem e para exlusividade total das que conseguiram arrematar as iguarias.

Trabalhando com as mãos

agosto 15, 2008

Eu nunca fui boa com habilidades manuais. Tenho a maior inveja de quem faz embrulhos bonitos pra presentes. Afinal, uma das coisas mais especiais de ganhar um presente é quando ele vem com um papel de embrulho bonito, dobrado de um jeito especial, né? (Coisas as que a gente só dá valor depois que cresce e precisa degustar um pedacinho de chocolate pra matar a vontade e não devorar a caixa inteira e fazer um estrago na balança!) Mas, enfim, nunca fui boa. Em tirar nós complicados, em fazer um laçarote bonito atrás do vestido, em confeccionar bijuterias pra vender na escola, em decorar biscoitos de natal com aqueles tubos de creme coloridos de confeiteiro.

É lógico que isso me preocupa horrores, já que considero fazer uma especialidade cirúrgica. Como não sei nem pregar um botão, como é que eu vou consertar retalhos DENTRO de pessoas? Aliás, isso é bem paradoxal: eu sei costurar gente, mas não sei costurar roupa. E o que é pior é que a gente só sabe se leva jeito pra operar depois que aprende a operar. E a gente só aprende mesmo a operar quando já está lá pro final da residência. Então como é que eu vou saber se eu tenho um dom pra uma coisa que eu tenho que decidir agora, mas só vou começar a aprender a fazer daqui a 3, 4 anos?!

O que me conforta é que, no fundo, tudo é prática. Como dizia um professor meu de cirurgia, se você treinar um orangotango a operar, ele vai acabar operando. Algumas pessoas têm um dom e terminam em 10 minutos um trabalho manual que outra pessoa levaria 3 horas pra conseguir acabar. E eu, quando aprendi a encapar meus livros com contact, na 5a série, demorava muito e me enrolava toda. Na 8a eu encapava todos os meus e os da minha irmã em uma tarde! E sem deixar nenhuma bolha.

Ou seja, talvez haja esperança pra mim.

Muitos motivos e uma vontade

agosto 12, 2008

# 7 – Uma forma de eternizar uma coisa importante da sua vida traduzida em arte ambulante

# 8 – Arte que faz parte de você e você fazendo parte da arte.

#9 – Uma forma de não ter medo de ser quem se é

# 10 – Que é pra me dar coragem pra seguir viagem quando a noite vem

# 11 – Uma licensa poética de si próprio🙂

# 12 – Fazer uma tatuagem é simplesmente uma pequena parte de se reconhecer dona do próprio corpo e há muitas outras coisas que fazemos com ele que são tão ou mais definitivas, apesar de não serem desenhos na pele.

A grande questão de 2008

agosto 11, 2008

– Toda vez que eu vejo uma cirurgia de osteossíntese (colocação de plaquinhas pra consertar fraturas) eu quero fazer ortopedia.

– Toda vez que eu vejo uma mulher em trabalho de parto eu quero fazer obstetrícia.

– Toda vez que eu vejo um bebê com risada sem dente eu quero fazer pediatria.

Respirar é preciso

agosto 8, 2008

Uma das poucas coisas que eu lamento na minha vida de médica é não gostar de Dermato ou de Cirurgia Plástica. Porque, verdade seja dita, essas especialidades têm um retorno financeiro nada desprezível e, dentro delas, você consegue ter uma vida mais ou menos organizada. Além do fato de terem pouca ou nenhuma emergência. Imagina alguém te ligando às 3 da manhã porque surgiu uma espinha na ponta do nariz? Ou por que precisa de um a lipo urgentemente? Acho que não, né..

Mas o problema não está nas especialidades, e sim em mim. Parece papo de fim de namoro, mas a verdade é que sou eu quem não se sente bem fazendo especialidades estéticas, depois de tanto estudo e de ter visto tanto sofrimento e de ter se sentido tantas vezes impotente diante da dor alheia, da morte e da limitação. A razão pela qual fiz medicina continua sendo a mesma: fazer uma diferença. Ajudar outras pessoas, dormir um sono de consciência leve e carregar sempre aquele sonho (e realizá-lo a cada consulta, cirurgia ou procedimento) quase adolescente, quase visionário mas tão precioso, de estar fazendo a minha parte pra que o mundo seja melhor, com menos sofrimento, com mais qualidade de vida. A estética tem uma importância fundamental! Muitas vezes uma pessoa recupera a sua vontade de viver graças à resolução de alguma coisa que a incomodava. E muitas vezes isso se traduz em crescimento pessoal e profissional, em impactos extremamente positivos, é um tipo de ajuda bem específico na realidade. Acontece que simplesmente não é pra mim.

O que é uma pena! Porque eu realmente valorizo qualidade de vida, o bem estar… Não quero ser aquela médica que manda os pacientes fazerem exercício, se alimentarem corretamente e levarem uma vida menos estressante se eu mesma vou ser uma pessoa sedentária, que mal tem tempo pra comer e dormir e trabalha que nem uma desesperada. Eu já vi pneumologistas que fumam e endocrinologistas obesos aos montes por aí. Mas esses são protótipos do paradoxo entre ser médico e ser humano. Há hábitos com relação de causalidade muito mais suave do que esses, e praticados por TODOS os especialistas.

E eu acho uma coisa maravilhosa quando eu consigo pegar sol durante meia horinha num dia de semana. Quando vou pra yoga 2 vezes por semana ou quando faço natação. Quando como alguma coisinha de 3 em 3 horas e me mantenho num peso, porque quem come de 3 em 3 horas não morre de fome, não prepara o organismo pra absorver uma maçã como se fosse uma feijoada, não fica irritado e nem sem energia o tempo inteiro. Acho incrível dormir 8 horas por noite, pegar um cineminha no domingo à tarde, encontrar amigos e jogar conversa fora e dar risada 1 vez por semana e levar o cachorro pra passear todo dia de manhã cedinho ou nos finais de semana no calçadão. Essas coisas que fazem um bem tão grande à gente, que ajudam o sistema imunológico, que dão mais pique, que tornam a vida mais prazeirosa.

Então eu ainda não sei com qual das 3 especialidades loucas eu vou ficar. Mas eu sei aonde quero chegar com ela: em uma vida o mais leve possível. Pra que eu esteja cheia de energia vital.

Afinal, quem não tem luz própria como vai fazer pra ajudar a iluminar o vida dos outros?

1 mês de motivos e 1 vontade

agosto 6, 2008

Há aproximadamente 6 meses tenho uma vontade quase diária de fazer uma tatuagem. Já sei o desenho, já sei o lugar, já sei por quê. Na realidade o motivo é um só: porque é lindo e estiloso e não, eu não tenho medo de me arrepender. Coisa rara na minha vida, aliás😛
Fiz uma listinha com os principais motivos para fazer/ter uma tatuagem. Em baixo de cada um, uma tattoo linda que achei na rede.
#1 – Ter uma arte que faz parte do próprio corpo, da própria personalidade, que não nasceu comigo, que foi uma escolha consciente, de beleza e de coragem.

# 2 – Uma forma bonita de marcar momentos e de nos lembrar de ideais, sonhos e paixões e, principalmente, dos melhores anos das nossas vidas. Não com nostalgia, mas com eternidade.

# 3 – Saber que arrependimentos existem e que é preciso conviver com eles, porque não, não matam. Longe disso; se trabalhados e desenvolvidos, nos tornam pessoas melhores.

#4 – A flor de lótus é um símbolo eterno de pureza, renúncia e divindade, coisas bonitas de se buscar ou admirar, não importa por que caminhos a vida leve.

# 5 – Escrever a própria história, na própria pele.

# 6 – Uma celebração de si próprio (suas emoções, sua fé, seus valores, etc)

Obsessão do momento

agosto 5, 2008

Como já escrevi anteriormente, roupas de brechó pra mim entram em toda uma categoria especial e preciosa de moda. Não digo isso pra puxar uma brasa pra minha sardinha, digo porque acredito que as roupas tenham uma espécie de alma. Ok, alma é um pouco demais. Mas que elas carregam uma certa espiritualidade traduzida em histórias, momentos e emoções, ah, isso não tenho dúvida. Afinal, não tem sempre uma roupa esquecida no fundo do armário que você não usa mas da qual não consegue se desfazer, porque foi presente de alguém especial ou porque foi vestindo ela que você viveu alguma coisa bem marcante? Roupa é muito mais do que só um pedaço de pano pra cobrir as nossas vergonhas, e não falo só de estilo e personalidade.

Depois que acordei para o glamuoroso (e perigoso!) mundo fashion, descobri como são especiais as roupas vintage. Primeiro me viciei no brechó Eu amo Vintage, fiz umas compras maravilhosas porém incrivelmente difíceis de se usar (haja coragem e estilo!). Roupas retrô têm, primeiramente, um charme único, você não vai encontrar ninguém com uma roupa (ou, com mais certeza ainda, um look) igualzinho ao seu. E, depois, um arzinho romântico de “não se fazem mais vestidos como antigamente”, sabe?

Os brechós são museus de estilo, cheios de obras de arte autênticas, porém acessíveis. Tem gente que acha brechós lugares meio mórbidos e bolorentos. Mas eu, não. Acho que não é lá que as roupas se finalizam, mas sim é lá que elas transcendem, cheias de referências a outros tempos, modos de vida e histórias pessoais.

Mas aí eu descobri um site de uma menina que mora em Atlanta e virou referência de moda nos EUA sabe como? Garimpando, customizando, restaurando e vendendo peças só de brechós! Ela mistura texturas, acessórios e cores com um estilo invejável. Porém, cuidado, se você tem 2 X em seus cromossomos sexuais: você pode passar horas no flickr dela.

E fiquei pensando: que hoje-vou-assim cheio de fórum, maria bonita e estilistas carésimos, que nada! Bacana mesmo é quem consegue (e ainda dá dicas!) montar looks completamente originais e inimitáveis com peças bem acessíveis garimpadas de brechós e, inclusive, modificadas (céus, como eu invejo pessoas que simplesmente FAZEM ou REEDITAM as próprias roupas.. não é o máximo?)

Shakespere in Rio?

agosto 4, 2008

Eu sou definitivamente uma dessas meninas que teve alguns neurônios permanentemente danificados por filmes de princesas da Disney. Estava doida pra ver o “Era uma vez”.

E até que ele vale por algumas poucas cenas líricas.

Porque o roteiro tem um baita furo no final (tipo falha de continuidade mesmo), não surpreende muito em nenhum momento e ninguém merece o bigodinho de porteiro do mocinho.

Detesto quando vou ao cinema esperando um filme todo lindo e achando que vou sair do cinema flutuando e me decepciono. Parece quando a gente vai ao Maracanã na final do campeonato e o nosso time perde. O engraçado é que eu nunca fico brava com o time, o treinador, o diretor, o roteirista ou os atores. Mas sim comigo mesma. E com meus neurônios danificados.

a donzela do consumo (ou: o consumo de uma donzela)

julho 31, 2008

Era uma vez uma menina que tinha uma compulsão contrária à de 99% das meninas de seu reino: ela tinha compulsão pelo não-consumo. Era avessa a shoppings, tinha verdadeiro repúdio por gastos que fugiam ao básico e estritamente necessário. Desprezava roupas, escovas, maquiagens e todos os supérfluos do gênero. Sua frase preferida era: “eu não preciso”. Não se preocupava em coordenar cores, em passar qualquer imagem que fosse, já que se considerava uma fiel escudeira da dita beleza interior.

A coincidência de tudo isso é que, como 99% das meninas de seu reino, a menina se achava um pouco acima do peso ideal (ideal pra quem mesmo?) e ficava se sentindo a pior das criaturas do mundo sempre que experimentava qualquer roupa em alguma loja. Odiava fazer compras, sempre que sua mãe, a imperatriz, conseguia arrastá-la para lojas. As calças pareciam aumentar o quadril, os vestidos nunca caíam bem, as blusas pareciam marcar a barriga. Ela arrancava tudo com raiva, embora muito silenciosamente, dentro da cabine das lojas bonitas, e encarava a cara de decepção da vendedora. Afogava as mágoas em bolsas, afinal bolsas não precisam caber em ninguém.

A princesa neurótica, que detestava frivolidades, tentou mil dietas, reeducação alimentar, alimentação natureba, mas nada. Nunca perdia seus quilinhos extras. Um dia desencanou daquilo tudo. Nadava 2.000 metros por dia por puro prazer, ficou viciada em endorfina e no solzinho que batia na piscina. E, sem querer, por motivos que nada tinham a ver com a sua insatisfação com a auto-imagem, perdeu muito peso. Foi do manequim 40 ao 36. Do M ao PP. E, pelos mesmos motivos que a levaram a minguar, mas principalmente por caberem duas moças iguais a ela dentro de suas antigas roupas, torrou todas as suas economias em vestuário.

Precisava se sentir mais bonita. E precisava comunicar pro mundo que tinha um buraco tão grande dentro de si que ia tentar escolher todas as possíveis cores, texturas, formas e estampas para tentar cobrí-lo. Começou a ganhar dinheiro. E a gastar tudo em recheio para seus cabides e gavetas. Ganhar e gastar, ganhar e gastar, ganhar e gastar. Entrou na espiral do consumo e perdeu-se de si. Sofreu, culpou-se e foi discriminada. Deixou-se enxagüar por blogs de moda, revistas de beleza e muitas outras coisas que nem sabia serem tão bonitas. De repente muita coisa mudou. A culpa foi embora, algumas certezas voltaram.

Parou de pensar obsessivamente que a sociedade é perversa e que a moda é uma indústria com fins meramente lucrativos e descobriu um mundo cheio de escolhas. Começou a entender que se vestir é uma forma de refletir o que tem por dentro, que é uma eterna e deliciosa viagem de auto-conhecimento. Enxergou que moda como escravidão é futilidade, mas como forma de se expressar é arte pura e refinada. E que, sim, queria ser arte andando por aí. E se redefiniu: como irremediavelmente apaixonada por coisas belas.

E, no fundo, é só por isso que eu não condeno a princesa dos vestidos.

E que vou olhar vitrines e dedilhar araras com ela. Sempre que ela me convidar.

Control, alt, del.

julho 30, 2008

Tenho essa mania (que eu ainda não descobri se é um defeito terrível ou uma grande qualidade) de achar que nunca é tarde. Que nunca é tarde para perdões ou recomeços. Pra retomar as rédeas, ser o guia da própria vida. No fundo, ninguém quer realmente entregar tudo à sorte. E todo mundo tem o direito de se dar segundas, terceiras, quantas chances forem necessárias.

Recomeçar é parar de andar em círculos, analisar a perspectiva toda pra poder dar um bom e certeiro passo pra frente. A coragem pra reconhecer que o trem descarrilhou demora a vir, e chega de mansinho e em doses homeopáticas. O frio na barriga está sempre ali, pra lembrar de que não é tudo um rascunho pra que a gente possa cometer todos os erros do mundo e depois passar a limpo. O tempo passa rápido e pode atropelar quem quiser sem enganar. Mas há momentos em que as solas dos pés ganham raízes profundas, que crescem pra dentro do chão. A gente vai murchando ali e não consegue ir a lugar algum. A vida paralisa.

Quando tudo congela na nossa frente, não resta outra alternativa senão dar um boot. E começar tudo de novo. Quero ser melhor: estou começando tudo de novo. E não posso deixar ninguém me empurrar.